Número de feminicídios volta a crescer no Piauí, mostra Anuário

Na Capital, houve uma redução de aproximadamente 45% dos crimes de feminicídio, tendo uma queda de nove casos em 2018 para cinco em 2019.
créditos: O Dia

Foi divulgado na manhã desta segunda-feira (13), os dados do Anuário de Segurança Pública do Piauí. Entre os crimes contabilizados pelo levantamento estão as mortes violentas intencionais de mulheres do Estado, incluindo crimes de femicídio e feminicídio. Este último quando envolve violência de gênero.

De acordo com os dados divulgados, foram registrados 54 mortes de mulheres no Estado durante o ano de 2019. Destas, 28 foram feminicídios, representando um aumento de 7,69% em relação ao ano de 2018, quando 26 mulheres foram mortas por motivos de gênero.

Pela legislação brasileira, o feminicídio é uma qualificadora do crime do homicídio que tem como vítima a mulher. Os casos enquadrados como feminicídio acontecem apenas pelo fato da vítima ser mulher, incluindo a misoginia e menosprezo pela condição feminina, ou ainda em decorrência de violência doméstica.
Na Capital, houve uma redução de aproximadamente 45% dos crimes de feminicídio, tendo uma queda de nove casos em 2018 para cinco em 2019. Uma das vítimas foi a enfermeira Vanessa Carvalho, que foi atropelada após sair de uma festa de casamento na zona Leste de Teresina, em setembro de 2019. O empresário Pablo Henrique Campos Santos, ex-namorado da amiga de Vanessa, Anuxa Kelly Leite de Alencar, é apontado como autor do crime.
Outra vítima foi Marlúcia Jacob Santos, de 43 anos, assassinada a facadas em junho de 2019. O crime aconteceu no bairro Socopo, zona Leste de Teresina. O crime teria sido cometido pelo marido da vítima, identificado como Francisco das Chagas, que fugiu após o crime, mas foi capturado horas depois pela Polícia Militar. A vítima trabalhava numa pizzaria e deixou três filhos.

Já no interior do Estado houve um salto no número de feminicídios, subindo de 17 crimes em 2018, para 23 mortes de mulher por motivo de gênero em 2019. Até o dia 05 de fevereiro, quatro mulheres já haviam sido mortas no interior .

A primeira vítima, identificada como Eliane Sousa Paiva, foi morta a tiros pelo ex-companheiro após terminar o relacionamento. Após assassinar a mulher, o acusado usou a mesma arma para tirar a própria vida. Já o segundo e o terceiro feminicídios ocorreram, respectivamente, nas cidades de São Raimundo Nonato e Simplício Mendes. O quarto caso ocorreu na cidade de Castelo do Piauí, quando uma adolescente de apenas 17 anos foi morta a pauladas pelo namorado.

Na época dos crimes, a diretora de Gestão Interna da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP/PI), a delegada Eugênia Villa chegou a informar ao O DIA que a forma violenta como as mulheres são assassinadas, em sua maioria pelo uso da força física, mostram a intenção do assassino em subjugar e mostrar domínio sobre a vítima.
“Eles imobilizam a vítima de modo que elas não tenham condição de se defender. Os golpes são sempre efetuados quando a mulher está em uma situação de subjugação, como deitada, de modo que ela não consegue se desvencilhar, ou então quando a pega de surpresa e ela não tem como controlar o ataque”, afirma, acrescentando que a força física é o fator predominante nesse tipo de crime, assim como a relação de confiança entre o acusado e a vítima.

 

 

 


 


COLUNISTA
Eudes Martins
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